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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
Serviço de Anatomia Patológica do Hospital de Évora quer criar um banco de tumores

 

Criar uma Euro-região ao nível da saúde é uma das ambições partilhadas por muitos profissionais de saúde e o exemplo disso é a intenção de ser criado, no Alentejo, um banco de tumores. O objectivo deste serviço é desempenhar um papel importante e decisivo para os doentes oncológicos não só da região, mas de todo o país e de toda a Europa, visto que este banco “deve funcionar em rede a nível europeu no sentido de haver, cada vez mais, um conhecimento aprofundado sobre os vários tipos de cancros”, sublinhou o médico Luis Gonçalves, director do serviço de Anatomia Patológica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE E.P.E).

Segundo este médico, impulsionador deste projecto no Alentejo, a candidatura a fundos comunitários, já foi efectuada, aguardando-se para Setembro ou Outubro, uma resposta que diz esperar que seja favorável. Actualmente, no serviço que dirige, existem já amostras parafinadas, “que representam um dos elementos constituintes deste banco, mas ainda nos falta termos capacidades e equipamento para possuirmos também amostras congeladas”, explicou. Por isso mesmo, para obter dinheiro para a compra do equipamento necessário foi apresentada essa candidatura ao programa INTERREG, devendo demorar a partir daí cerca de dois a três anos até estar concluído.

Luís Gonçalves sublinhou, contudo, que este projecto visa ser transfronteiriço, mantendo com a Extremadura, em particular com Badajoz, “uma relação de proximidade de trabalho, pois os nossos vizinhos estão muito desenvolvidos na questão da anatomia patológica”, acrescentando ainda que o serviço do HESE tem como consultor o director do serviço de anatomia patológica de Badajoz.

Instado sobre a importância de um banco de tumores, o médico explicou que “é essencial”, visto que o paradigma do tratamento oncológico tem vindo a modificar-se muito. “Cada vez curam-se mais cancros e curam-se porque a terapêutica deixou de ser indiferenciada, a quimioterapia e a radioterapia já é mais adaptada ao doente, mas a tendência é que caminhe para uma medicação individualizada com anti-corpos específicos para determinados tumores”, frisou.

No entanto, esta mais valia só é possível através de uma maior investigação e para que tal aconteça é necessário, segundo o mesmo médico, haver muito tecido tumoral. “Quando o tumor está a ser removido é congelado, conservado, criando-se deste modo uma carteira de neoplasias partilhada em rede por diferentes investigadores que vão dando achegas quanto à produção de maiores anti-corpos monoclonais que servem para diagnóstico, prognóstico e para terapêutica”, assegurou. O que a seu ver, “é um futuro extraordinário”, visto passar-se a ter uma medicina personalizada também na área oncológica. “E não se pode fazer isto se não houver bancos de tumores”, asseverou.

De acordo com Luís Gonçalves, em Portugal, não há nenhum banco de tumor propriamente dito. “Há esporadicamente algumas organizações a que chamam bancos de tumor, mas que eu não considero, pois para se poder assim chamar tem que haver uma rede, para que o conhecimento seja partilhado, senão são meros armazéns de amostras”, opinou. No entanto, afirmou que está a ser preparado, pelo Alto Comissariado da União Europeia, um esboço para a criação de uma rede portuguesa de bancos de tumores. “Se isto se concretizar, o banco de tumores do Alentejo estará ligado, com certeza, com todos os que aparecerem em Portugal, mas não deixará de manter a relação profissional com Espanha”, assegurou.

Para este médico, todas estas propostas e intenções devem ser encarados como mais um passo para a constituição da Euro-Região em termos sanitários. “São pedras que se vão colocando para que o nível de assistência sanitária vá crescendo na nossa região e que daqui a uns tempos haja uma verdadeira livre circulação dos doentes oncológicos”, sustentou, adiantando que a partir de então os utentes poderão ir onde pensarem que é melhor e que lhes é mais conveniente.



publicado por noticiasevora às 15:50
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